Investigação do Deic aponta que empresa de transporte de valores era utilizada para movimentar drogas, armamentos e dinheiro de forma clandestina na Grande São Paulo.

Operação identifica uso de empresa para atividades ilícitas

Uma investigação da Polícia Civil revelou um esquema criminoso que utilizava a estrutura de uma empresa de transporte de valores para movimentar drogas, armas e dinheiro de forma clandestina em Arujá, na Região Metropolitana de São Paulo. Segundo as apurações, a organização aproveitava a atividade formal da empresa e a menor probabilidade de fiscalização dos carros-fortes para realizar o transporte de cargas ilícitas.

O caso foi investigado pela 5ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). As diligências apontaram que a empresa era utilizada para dar aparência de legalidade às atividades do grupo investigado.

Com autorização da Justiça, policiais civis cumpriram um mandado de busca e apreensão na sede da transportadora na última terça-feira (9).

Dois suspeitos foram presos durante a ação

Durante o cumprimento da ordem judicial, um dos investigados, identificado como proprietário da empresa no contrato social, foi abordado após estacionar um veículo em frente a uma lanchonete.

Na sede da transportadora, outro suspeito tentou fugir ao perceber a chegada das equipes policiais, mas foi alcançado e detido. Os dois homens foram presos em flagrante.

De acordo com a Polícia Civil, os investigados têm 41 e 45 anos e permaneceram à disposição da Justiça após o registro da ocorrência.

Bunker subterrâneo armazenava quase 300 quilos de haxixe

Durante as buscas na empresa, os agentes localizaram uma estrutura subterrânea escondida sob o cofre da companhia. O acesso ao local era realizado por meio de um elevador pneumático que ocultava uma sala escavada no subsolo.

No compartimento, os policiais apreenderam aproximadamente 283 quilos de haxixe armazenados em centenas de tijolos.

A descoberta foi considerada um dos principais elementos da investigação, uma vez que demonstrou a existência de uma estrutura preparada para ocultar e armazenar grandes quantidades de entorpecentes.

Veículos possuíam compartimentos ocultos

As investigações também identificaram a existência de compartimentos secretos em veículos utilizados pela empresa.

Em um automóvel adesivado com a marca da transportadora, os policiais encontraram um esconderijo eletrônico instalado sob o painel. No local foram encontrados vestígios da mesma droga apreendida no bunker.

Segundo a Polícia Civil, a adaptação reforça a suspeita de que os veículos eram utilizados para o transporte clandestino de substâncias ilícitas.

Armas, coletes e veículos foram apreendidos

Além dos quase 300 quilos de haxixe, a operação resultou na apreensão de diversos materiais.

Entre os itens localizados estão dois carros-fortes, um automóvel, uma motocicleta, 17 armas de fogo, mais de 50 carregadores de munição, 11 coletes balísticos, máquinas embaladoras, máquinas de contar dinheiro, bolsas e três telefones celulares.

Das 17 armas apreendidas, seis eram espingardas, seis pistolas e cinco revólveres calibre 38.

Todo o material foi recolhido para análise e integra o conjunto de provas reunidas durante a investigação.

Polícia aponta estrutura sofisticada

O delegado Clemente Calvo, divisionário da Disccpat, afirmou que a operação revelou uma estrutura considerada sofisticada para a prática de crimes.

Segundo ele, a empresa investigada é regularizada e funciona há décadas, mas teria sido adquirida com a finalidade de transportar produtos ilícitos.

Durante as diligências, os investigadores também verificaram que não foram encontrados contratos ou registros que comprovassem a realização regular de serviços de transporte de valores.

Além disso, os carros-fortes da empresa não foram observados realizando operações durante o período de monitoramento conduzido pelas equipes policiais.

De acordo com a Polícia Civil, esses fatores reforçaram as suspeitas sobre a real finalidade da estrutura utilizada pelo grupo investigado.

Caso foi registrado no Deic

A ocorrência foi registrada na 5ª Delegacia da Disccpat como tráfico de drogas, associação para o tráfico, localização e apreensão de objeto e veículo, além de cumprimento de mandado de busca e apreensão.

As investigações prosseguem para apurar a participação de outros envolvidos e a possível extensão das atividades criminosas identificadas durante a operação realizada em Arujá.

Fonte: SSP.

Editado pelo Repórter Savoy.

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