Grupo é investigado por pelo menos 18 crimes em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul; um adolescente também foi apreendido durante as ações policiais
Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo resultou na prisão de 11 suspeitos de integrar um grupo investigado por furtos a residências com uso de controles remotos clonados para acessar imóveis. Um adolescente também foi apreendido.
Segundo a polícia, os investigados são relacionados a pelo menos 18 crimes registrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A apuração é conduzida pela 2ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), da capital paulista.
As investigações apontam que o grupo possuía divisão de funções para selecionar possíveis vítimas, levantar informações sobre os imóveis, providenciar veículos e executar as invasões. Entre os métodos identificados pela polícia está a clonagem de controles remotos de portões automáticos.
Operação Barracuda prende cinco suspeitos em São Paulo
Na quinta-feira (13), cinco suspeitos foram presos durante a segunda fase da Operação Barracuda. As prisões ocorreram nos bairros do Glicério e Cambuci, na região central de São Paulo, e na Mooca e Vila Prudente, na Zona Leste.
Durante a operação, os policiais cumpriram 12 mandados judiciais, incluindo ordens de prisão temporária e de busca e apreensão.
Em fases anteriores da investigação, três detenções tiveram apoio da Polícia Militar de São Paulo e da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Considerando as diferentes etapas da apuração, 11 integrantes do grupo já foram presos e um menor foi apreendido.
A Polícia Civil afirma que continuará as investigações para identificar e desarticular toda a estrutura operacional atribuída ao grupo.
Investigação começou após tentativa de furto em Moema
A apuração teve início depois de uma ocorrência registrada em março, durante uma tentativa de furto a uma residência em Moema, na Zona Sul de São Paulo.
Na ocasião, policiais civis e militares atuaram depois que três suspeitos invadiram o imóvel. De acordo com as informações da investigação, o grupo tentou deixar o local utilizando um automóvel pela garagem.
O portão, porém, não abriu. Os suspeitos chegaram a acelerar o veículo contra a estrutura, mas o automóvel ficou preso. Eles abandonaram o carro e continuaram a fuga a pé.
Um dos envolvidos foi capturado.
Com o suspeito, os policiais encontraram dois aparelhos celulares. A análise do material deu continuidade à investigação e permitiu à polícia identificar outros suspeitos e relacionar integrantes do grupo a diferentes etapas dos furtos.
Os dados encontrados também ajudaram os investigadores a estabelecer possíveis vínculos com outros crimes.
Celulares ajudaram polícia a identificar integrantes do grupo
Segundo o delegado titular da 2ª Cerco, Deglayr Tavares Júnior, os alvos eram inicialmente imóveis de alto padrão na região sul da capital paulista.
O objetivo, de acordo com o delegado, era principalmente a obtenção de artigos de luxo, entre eles joias e relógios.
A análise dos materiais apreendidos indicou, porém, que a área de atuação investigada era mais ampla e chegava também ao interior do estado.
A partir das informações obtidas nos celulares, os policiais passaram a identificar outros integrantes e as funções atribuídas a cada um dentro da estrutura investigada.
Clonagem de controles era usada para entrar nas residências
Um dos principais métodos identificados pela investigação era a clonagem de controles remotos de portões automáticos.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a técnica era utilizada para permitir a entrada nas residências.
A investigação também identificou uma divisão de tarefas entre os suspeitos. Alguns integrantes seriam responsáveis pela escolha das vítimas e pelo levantamento de informações relacionadas aos imóveis e às formas de acesso.
Outros forneciam os automóveis utilizados nas ações ou conduziam os veículos. Também havia investigados responsáveis pelo apoio às equipes e pela execução direta das invasões.
Entre as funções identificadas estava a de tocar a campainha dos imóveis para verificar se havia alguém na residência antes da entrada do grupo.
Suspeito reunia integrantes responsáveis pela execução dos furtos
Segundo a Polícia Civil, um dos presos em outra etapa da operação, realizada na terça-feira (11), tinha a função de reunir os chamados “pé na porta”, expressão utilizada na investigação para identificar integrantes encarregados de executar os furtos.
O homem também seria responsável por repassar informações sobre as vítimas, os veículos utilizados e os acessos aos imóveis.
Na residência dele, os policiais apreenderam dispositivos que apresentavam identificações também encontradas em uma lista de possíveis vítimas localizada no celular de outro investigado.
A ligação entre os materiais apreendidos passou a integrar a investigação sobre a organização e a atuação do grupo.
Polícia investiga ao menos 18 crimes em três estados
Até o momento, os suspeitos são investigados por pelo menos 18 crimes ocorridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
A Polícia Civil informou que a apuração continuará para tentar desarticular toda a estrutura operacional da quadrilha e identificar outros possíveis envolvidos.
O trabalho inclui a análise dos materiais apreendidos nas diferentes etapas da operação e das informações encontradas nos aparelhos eletrônicos recolhidos pelos investigadores.
Furtos e roubos a residências caem na capital paulista
As ações contra o grupo ocorrem em um período no qual os registros de furtos e roubos a residências em São Paulo apresentaram redução.
No primeiro semestre deste ano, foram registradas 1,9 mil ocorrências desses crimes na capital paulista. O número representa queda de 18,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 2,3 mil registros.
Considerando todo o estado de São Paulo, a redução informada foi de 20,7%.
As ocorrências passaram de 16,9 mil no período anterior para 13,6 mil neste ano.
Segundo as informações divulgadas, as forças de segurança mantêm ações voltadas à redução dos indicadores de furtos e roubos a residências na capital e em outras regiões do estado.

