A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do Estado deflagraram nesta quinta-feira (21) a Operação Vérnix, voltada ao combate a um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação resultou na decretação da prisão de seis suspeitos pela Justiça e no bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões.
Entre os alvos da investigação estão uma influenciadora digital e pessoas apontadas como ligadas à liderança da organização criminosa. Além das prisões, foram determinados o sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de alto padrão, e de quatro imóveis vinculados aos investigados.
Segundo os órgãos responsáveis, o objetivo da operação é atingir estruturas financeiras utilizadas para movimentação e ocultação de recursos supostamente provenientes de atividades ilícitas.
Investigação apura movimentações financeiras sem compatibilidade econômica
A operação é conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Presidente Prudente.
As apurações investigam um suposto esquema de lavagem de dinheiro com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras envolvendo a influenciadora digital Deolane Bezerra e integrantes da facção criminosa.
De acordo com os investigadores, foram identificadas movimentações milionárias sem lastro econômico compatível com as operações registradas. Também teriam sido detectados mecanismos voltados à circulação de recursos e à ocultação da origem do dinheiro.
Entre os elementos analisados estão empresas consideradas de fachada, utilização de contas bancárias para movimentação financeira e aquisição de bens de alto valor como forma de dificultar o rastreamento dos recursos.
As autoridades afirmam que esses mecanismos teriam sido empregados para ocultar patrimônio e criar obstáculos ao acompanhamento da origem e do destino dos valores.
Celular apreendido em operação anterior deu origem às novas apurações
A investigação que culminou na Operação Vérnix teve origem em uma fase anterior da Operação Lado a Lado.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o avanço das investigações ocorreu após a apreensão de um telefone celular. A análise do conteúdo do aparelho revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da organização criminosa e indicativos de repasses financeiros.
Com base nesses elementos, os investigadores ampliaram a apuração e instauraram novos procedimentos para acompanhar possíveis conexões financeiras e empresariais.
Ao longo do trabalho investigativo, foram abertos três inquéritos policiais sucessivos. Conforme as autoridades, esse conjunto de diligências permitiu identificar uma estrutura que teria sido utilizada para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita por meio de empresas e pessoas interpostas.
Investigações começaram em 2019 após apreensão em penitenciária
As investigações tiveram início em 2019, após apreensões realizadas na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Na ocasião, foram encontrados bilhetes e manuscritos que, segundo os investigadores, indicavam atuação de lideranças criminosas e apontavam possíveis ameaças direcionadas a agentes públicos.
A partir desse material, a Polícia Civil iniciou o aprofundamento das apurações, com foco na identificação de estruturas financeiras e patrimoniais relacionadas ao grupo investigado.
Durante o desenvolvimento do caso, as diligências também indicaram conexões entre investigados e integrantes da organização criminosa, além da utilização de estruturas empresariais para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.
Caso tem desdobramentos internacionais
A Operação Vérnix também alcançou investigados que estariam fora do Brasil.
Segundo as autoridades, três pessoas localizadas na Itália, Espanha e Bolívia tiveram inclusão solicitada na Lista Vermelha da Interpol. O procedimento conta com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público para localização e adoção das medidas legais cabíveis.
As medidas internacionais integram o conjunto de ações voltadas ao acompanhamento de movimentações e localização de investigados fora do território nacional.
Apoio operacional e foco no combate à lavagem de capitais
A execução da operação contou com apoio operacional do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) para o cumprimento das diligências.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, a Operação Vérnix integra estratégias voltadas ao enfrentamento do crime organizado, especialmente por meio do combate à lavagem de capitais e da tentativa de enfraquecer estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas.

