Documento reconstituído levou investigadores a uma transportadora usada como eixo financeiro da organização criminosa

Uma carta apreendida na Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, deu início a uma investigação que revelou um esquema de lavagem de dinheiro atribuído a uma facção criminosa. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o grupo teria estruturado ao menos 35 empresas de fachada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos. 

GAECO E POLICIA CIVIL DESCOBRIRAM O ESQUEMA

O documento foi localizado em 2019 durante uma ação da Polícia Penal dentro da unidade prisional. Ele havia sido descartado em uma coleta interna e precisou ser reconstruído pelos investigadores. No conteúdo, havia referências a ataques contra agentes públicos, planos da organização criminosa e menções ao uso de armamento pesado, como fuzis. 

https://www.ssp.sp.gov.br/noticia/60380

Após a apreensão, a investigação passou a rastrear conexões financeiras e empresariais do bando, identificando um casal como peça central do esquema. Segundo os investigadores, ele administrava à distância uma transportadora em Presidente Venceslau, apontada como principal eixo financeiro da lavagem de dinheiro. A empresa pertencia a dois irmãos do líder da facção.

Um celular apreendido com o casal revelou a participação de uma influenciadora digital no esquema. De acordo com as apurações, ela funcionava como um “caixa do crime organizado”, mantendo movimentações bancárias relacionadas ao casal investigado e conexões com integrantes da cúpula da facção. 

“Esse é um trabalho brilhante conduzido há mais de sete anos em conjunto com o Ministério Público. Estamos atuando diretamente contra a alta cúpula da facção criminosa e deixando claro que o crime organizado não vai ter vez em São Paulo”, afirmou o secretário da Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico Gonçalves. 

No decorrer do trabalho, a Polícia Civil instaurou três inquéritos policiais sucessivos para mapear o fluxo financeiro e a estrutura de ocultação patrimonial, que foi descoberta em operações anteriores.

A Operação Vérnix foi deflagrada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta quinta-feira (21), após a conclusão da análise do material. Os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Duas ordens judiciais de prisão foram realizadas na Penitenciária Federal de Brasília, onde dois envolvidos já cumpriam pena.

Outros dois investigados seguem foragidos no exterior. A Justiça solicitou a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol para evitar o risco de fuga. Também houve uma prisão em flagrante por porte de munições.

“Esta ação tem um caráter pedagógico e efeito inibitório. Não tem caminho fácil. Não adianta ficar esfregando dinheiro na cara do jovem para ser advogado do PCC”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

Além das prisões, a operação também resultou no bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores ligados aos investigados. Foram sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo, e quatro imóveis, segundo as autoridades. “Atingimos o andar de cima”, declarou o promotor de Justiça Lincoln Gakya.

Fonte: SSP.

Editado pela Redação.

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