Treinamento reúne policiais militares, civis e técnico-científicos para discutir atendimento às vítimas, medidas de proteção, prevenção da revitimização e atuação integrada em casos de violência contra mulheres.
Profissionais das forças de segurança de São Paulo participaram nesta quarta-feira (2) de uma capacitação destinada ao aprimoramento do atendimento e das ações de combate à violência contra a mulher. O encontro reuniu policiais militares, policiais civis, integrantes da Polícia Técnico-Científica, autoridades e especialistas para discutir procedimentos relacionados ao acolhimento das vítimas e às estratégias de proteção.
A programação abordou temas como atendimento qualificado às mulheres vítimas de violência, prevenção da revitimização, enfrentamento de estereótipos e práticas discriminatórias e integração entre os órgãos que compõem a rede de proteção.
O evento foi realizado na sede do Ministério Público, no centro da capital paulista, e integra uma programação nacional voltada aos profissionais da segurança pública.
Capacitação reúne forças de segurança e autoridades em São Paulo
A abertura contou com a participação do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves; da secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni; e do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, além de outras autoridades.
Durante o encontro, os participantes destacaram a necessidade de articulação entre as instituições responsáveis pelo atendimento, investigação, proteção e acompanhamento de casos de violência contra meninas e mulheres.
A proposta é fortalecer a atuação conjunta dos diferentes órgãos e ampliar a preparação dos profissionais que trabalham diretamente com vítimas de violência doméstica, estupro e outros crimes praticados contra mulheres.
Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, São Paulo já realizou diferentes capacitações voltadas às equipes que atuam nesses atendimentos.
“Conhecimento nunca é demais. Já realizamos em São Paulo diversas capacitações com as nossas equipes, e todos os agentes que estão na linha de frente do combate a esse crime precisam estar cada vez mais preparados. Agora, estamos integrando não apenas São Paulo, mas também outros estados nessa mobilização, para fortalecer um modelo de atuação que tenha como prioridade a proteção das mulheres. Precisamos compreender a dimensão desses crimes e trabalhar juntos para tornar mais efetivo o combate à violência doméstica, ao estupro e ao feminicídio”, afirmou.
Dia C de Capacitação ocorre nas 27 capitais brasileiras
A atividade faz parte do Dia C de Capacitação – Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública, iniciativa promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
A programação ocorre simultaneamente nas 27 capitais brasileiras e reúne profissionais da segurança pública para debater estratégias de atendimento e proteção às vítimas.
Entre os pontos discutidos estão formas de qualificar o primeiro atendimento, reduzir situações que possam provocar a revitimização das mulheres e aprimorar a integração entre os serviços disponíveis.
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirmou que a capacitação dos profissionais faz parte da estrutura necessária para o enfrentamento da violência.
“Enfrentar a violência contra a mulher exige uma rede preparada para acolher, proteger e evitar a revitimização. Capacitações como esta fortalecem a atuação integrada entre as instituições e contribuem para um atendimento cada vez mais qualificado e efetivo”, afirmou.
São Paulo mantém rede de atendimento a mulheres vítimas de violência
O enfrentamento à violência contra a mulher em São Paulo envolve diferentes estruturas das forças de segurança. As ações incluem atendimento especializado, orientação às vítimas, incentivo às denúncias, acompanhamento de ocorrências e mecanismos destinados à proteção de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Entre os serviços existentes estão as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), a Cabine Lilás, o aplicativo SP Mulher Segura e a Patrulha SP Mulher Segura.
O Estado também utiliza o monitoramento de agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas entre as iniciativas mencionadas durante a capacitação.
São Paulo possui 144 Delegacias de Defesa da Mulher
A rede estadual conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher territoriais. Desse total, 20 unidades funcionam 24 horas.
Também existem as Salas DDM 24 horas, instaladas em delegacias convencionais. Esses espaços são destinados ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
As estruturas fazem parte da rede utilizada para ampliar o acesso das vítimas aos serviços policiais e especializados disponíveis no estado.
Cabine Lilás atende chamadas de violência doméstica pelo 190
Na Polícia Militar, a Cabine Lilás atua no atendimento de ocorrências relacionadas à violência doméstica recebidas pelo telefone 190.
As chamadas são direcionadas para policiais femininas, que prestam orientações às vítimas sobre medidas de proteção e serviços disponíveis.
Entre as informações fornecidas estão orientações sobre a solicitação de medidas protetivas, direitos das vítimas, auxílio-aluguel e acesso às redes de acolhimento.
A iniciativa também se conecta a outras estruturas da rede estadual de proteção, permitindo o encaminhamento e acompanhamento de ocorrências de violência doméstica.
Aplicativo SP Mulher Segura permite BO online e botão do pânico
Outra ferramenta disponível é o aplicativo SP Mulher Segura.
Por meio do sistema, mulheres podem registrar boletins de ocorrência pela internet, consultar endereços de unidades policiais e utilizar o chamado botão do pânico.
Quando acionado, o recurso comunica simultaneamente a polícia e um contato de emergência previamente cadastrado pela usuária.
O aplicativo integra as ferramentas utilizadas pelas forças de segurança para ampliar o acesso das mulheres aos canais de atendimento e proteção.
Patrulha SP Mulher Segura acompanha ocorrências de violência doméstica
A Patrulha SP Mulher Segura também faz parte da estrutura destinada ao atendimento de vítimas no estado.
A patrulha realiza policiamento preventivo e ostensivo e acompanha ocorrências relacionadas à violência doméstica.
O trabalho inclui principalmente situações atendidas anteriormente pela Cabine Lilás e acionamentos feitos por meio do aplicativo SP Mulher Segura.
A capacitação realizada nesta quarta-feira busca integrar essas diferentes frentes e ampliar a preparação de policiais e demais profissionais responsáveis pelo atendimento de mulheres em situação de violência.
Com a realização do Dia C de Capacitação nas capitais brasileiras, profissionais da segurança pública participam de discussões sobre procedimentos de acolhimento, proteção, prevenção da revitimização e atuação institucional em casos de violência contra mulheres.

