Operação Tabellari apura o uso de empresas de fachada, desvios de encomendas e simulações de crimes para o recebimento de indenizações indevidas

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (4/8), a Operação Tabellari, destinada a investigar e desarticular um esquema de fraudes que teria causado prejuízo à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Segundo as informações da investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, dados pessoais de terceiros, desvios de encomendas e fraudes relacionadas a seguros. O objetivo seria obter indenizações indevidas após a simulação de furtos e roubos de mercadorias durante o processo de entrega.

A operação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. A apuração foi conduzida pela Polícia Federal e contou com o apoio da área de segurança dos Correios.

Operação Tabellari cumpre mandados de prisão e busca

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão. Entre os alvos das prisões estão três empregados públicos, apontados como envolvidos no funcionamento do esquema investigado.

Os mandados foram expedidos no âmbito da investigação sobre as supostas fraudes cometidas contra os Correios. As medidas têm como objetivo reunir provas, localizar documentos e identificar elementos relacionados à atuação do grupo.

A Polícia Federal não informou, no texto divulgado, os locais onde os mandados foram cumpridos nem apresentou detalhes sobre a identidade dos investigados. Também não foram divulgados valores referentes ao prejuízo causado à empresa pública ou ao total de indenizações que teriam sido obtidas de forma irregular.

Grupo utilizava dados pessoais de terceiros

As apurações indicam que os investigados utilizavam dados pessoais de terceiros para realizar compras de produtos em plataformas digitais. Após a aquisição, as mercadorias eram remetidas para destinatários fictícios.

O envio era realizado por meio de empresas de fachada, que seriam utilizadas para dar aparência regular às operações comerciais e às remessas. A investigação busca esclarecer como essas empresas eram administradas e qual era a participação de cada integrante no esquema.

De acordo com as informações apresentadas, os dados pessoais usados nas compras não pertenciam necessariamente aos responsáveis pelas operações. O uso dessas informações permitia que os produtos fossem adquiridos e enviados sem que os integrantes do grupo aparecessem diretamente como compradores ou destinatários.

A apuração também procura identificar a origem dos dados utilizados e verificar se outras pessoas foram afetadas pelas ações do grupo.

Encomendas eram enviadas para destinatários fictícios

Depois da compra dos produtos em plataformas digitais, as encomendas eram encaminhadas a destinatários que, segundo a investigação, não existiam ou não correspondiam aos responsáveis pelo esquema.

As mercadorias eram remetidas por empresas de fachada e inseridas no sistema de entregas. A partir desse momento, empregados públicos envolvidos na fraude teriam atuado para simular ocorrências durante o transporte ou a entrega dos objetos.

A utilização de destinatários fictícios dificultava a identificação dos responsáveis pelas compras e pelas remessas. O procedimento também fazia parte da estrutura criada para viabilizar os pedidos de indenização.

O texto divulgado não esclarece quais tipos de produtos eram adquiridos, quantas encomendas foram desviadas ou durante quanto tempo o esquema teria funcionado.

Investigação apura simulação de furtos e roubos

A Polícia Federal apura se empregados públicos ligados ao esquema simulavam furtos e roubos de encomendas durante a etapa de entrega das mercadorias.

As ocorrências eram registradas como se os produtos tivessem sido retirados de circulação por meio de ações criminosas. Com isso, os responsáveis pelas remessas poderiam comunicar o desaparecimento dos objetos e solicitar o pagamento de indenizações.

Segundo a investigação, os seguros eram contratados para possibilitar o ressarcimento relacionado às supostas perdas. A suspeita é de que os furtos e roubos não aconteciam da forma informada e eram simulados pelos integrantes do grupo.

A fraude, portanto, envolvia diferentes etapas. Primeiro, eram utilizados dados pessoais de terceiros para a compra dos produtos. Em seguida, as mercadorias eram enviadas por empresas de fachada para destinatários fictícios. Durante o processo de entrega, ocorrências de furto ou roubo eram simuladas. Por fim, eram solicitadas indenizações relacionadas aos seguros contratados.

Fraudes teriam causado prejuízo aos Correios

As indenizações obtidas de forma indevida teriam provocado prejuízo à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A investigação, no entanto, ainda não apresentou uma estimativa do valor total relacionado ao esquema.

A área de segurança da ECT participou das apurações e prestou apoio à Polícia Federal. A colaboração permitiu o compartilhamento de informações relacionadas às encomendas, aos procedimentos de entrega e às ocorrências registradas como furtos ou roubos.

A operação busca esclarecer a participação dos empregados públicos investigados e verificar se outras pessoas ou empresas estavam envolvidas nas fraudes.

Também deverá ser analisado se o esquema foi utilizado em diferentes remessas e se as indenizações foram solicitadas por meio de um procedimento semelhante em todas as ocorrências investigadas.

Investigados podem responder por quatro crimes

Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, peculato, estelionato e receptação.

A definição das responsabilidades dependerá da análise das provas reunidas durante a investigação e do material apreendido no cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal deverá verificar a função exercida por cada investigado, a relação entre os empregados públicos e as empresas de fachada e a forma como as encomendas eram desviadas ou registradas como furtadas e roubadas.

A Operação Tabellari permanece concentrada na apuração do esquema de fraudes contra os Correios, na identificação dos participantes e no levantamento dos prejuízos relacionados às indenizações indevidas.

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