Operação Vérnix

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público estadual resultou na prisão de seis suspeitos investigados por participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos da operação Vérnix está a influenciadora digital Deolane Bezerra, além de familiares apontados pelos investigadores como ligados à estrutura financeira da facção.

Segundo informações apresentadas em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (21), a investigação teve início há sete anos e culminou no bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de veículos e imóveis vinculados aos investigados.

Bilhetes encontrados em penitenciária deram origem à apuração

De acordo com os investigadores, o ponto de partida da operação ocorreu após uma inspeção em uma unidade prisional de Presidente Venceslau, no interior paulista.

Durante a ação, policiais penais localizaram cartas e bilhetes descartados por meio do sistema de esgoto da penitenciária. O material recolhido foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que passou a atuar em conjunto com a Polícia Civil.

A partir da análise dos documentos, foram instaurados três inquéritos policiais que levaram os investigadores até uma transportadora suspeita de ser utilizada para movimentação financeira vinculada à organização criminosa.

Investigação identificou movimentações financeiras e empresas

Segundo os investigadores, os dados obtidos na empresa e um aparelho celular apreendido permitiram identificar uma estrutura considerada organizada para circulação de recursos.

As apurações apontaram participação de familiares de Marcos Camacho e ligação da influenciadora Deolane Bezerra com a transportadora investigada.

Com a quebra dos sigilos fiscal e bancário, os investigadores afirmaram ter identificado transferências financeiras para a influenciadora e passaram a investigar possíveis conexões com outras frentes do crime organizado.

Em coletiva, o delegado Edmar Caparroz afirmou que a hipótese investigativa considera que valores enviados à conta da influenciadora eram misturados com recursos provenientes de outras atividades e posteriormente retornariam à estrutura criminosa. Segundo o delegado, não foi identificada prestação de serviços entre a influenciadora e a empresa investigada.

A investigação também aponta movimentação de milhões de reais sem compatibilidade econômica identificada, uso de empresas de fachada, contas destinadas à circulação de recursos e aquisição de bens de alto padrão para ocultação da origem dos valores.

Prisões e diligências ocorreram em diferentes frentes

Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21), um dia após retornar da Itália, conforme informado pelos investigadores.

Segundo a apuração, ela teria se encontrado com Paloma Camacho, investigada por supostamente repassar informações relacionadas ao sistema penitenciário e à divisão de lucros atribuída à transportadora.

Também foi preso Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo investigado.

Ainda conforme a investigação, Paloma teria deixado o país e estaria na lista vermelha da Interpol. Outro sobrinho de Marcola, Leonardo, é considerado procurado na Bolívia.

Já Alejandro Camacho e Marcos Camacho receberam novas notificações judiciais nos presídios federais onde já cumprem pena.

Operação bloqueou patrimônio e apreendeu bens

Além das prisões, a operação Vérnix resultou no bloqueio judicial de valores superiores a R$ 327 milhões.

As medidas também incluíram o sequestro de 17 veículos — entre eles automóveis de luxo — e quatro imóveis vinculados aos investigados.

O cumprimento das diligências contou com apoio operacional do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a operação integra ações voltadas ao enfrentamento da lavagem de dinheiro e à identificação das estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas.

Até o momento, as informações apresentadas correspondem à linha investigativa das autoridades responsáveis pela operação.

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