Quase 70% das apreensões ocorreram no interior paulista; prejuízo ao crime organizado chega a quase R$ 1 bilhão
O ano de 2025 terminou com mais de 206 toneladas de drogas apreendidas em todo o estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Considerando os valores de mercado da maconha, cocaína e crack, estima-se que o crime organizado tenha sofrido um prejuízo próximo de R$ 1 bilhão, resultado direto das operações policiais e do reforço no combate ao tráfico de drogas.
MACONHA AINDA É A PRINCIPAL DROGA APREENDIDA EM SÃO PAULO
Do total de entorpecentes retirados de circulação em 2025, a maconha liderou o ranking, com 151,4 toneladas apreendidas. Na sequência aparecem a cocaína, com 31,8 toneladas, e o crack e outras drogas, que somaram 22,6 toneladas, evidenciando o volume expressivo do tráfico interestadual e internacional que passa pelo território paulista.
CENÁRIO DA DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA NO BRASIL
O cenário do uso da maconha no Brasil passou por transformações significativas entre 2023 e o início de 2026, marcadas por decisões judiciais, mudanças na legislação e pela ampliação do uso medicinal da cannabis, fatores que impactaram tanto o debate público quanto as políticas de segurança.
Aqui está um resumo dos principais marcos desse período:
Mudanças jurídicas e descriminalização (2024–2025)
Até 2024, a distinção entre usuário e traficante era subjetiva, o que frequentemente resultava em prisões consideradas desproporcionais.
Decisão do STF (junho de 2024): o Supremo Tribunal Federal descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal.
Parâmetro de 40 gramas: a Corte definiu que pessoas flagradas com até 40 g da substância ou seis plantas fêmeas são presumidas usuárias.
Ilícito administrativo: o consumo não foi legalizado. O uso em locais públicos continua proibido e a droga pode ser apreendida. A principal mudança é que o usuário não responde mais criminalmente, mas pode sofrer sanções administrativas, como advertências e cursos educativos.
Avanço da cannabis medicinal e do cultivo (2025–2026)
O setor medicinal registrou forte crescimento, reduzindo a dependência de importações e impulsionando a produção nacional.
Explosão de pacientes: em 2024, o Brasil alcançou 672 mil pessoas em tratamento com produtos à base de cannabis, alta de 56% em relação ao ano anterior.
Regulamentação da Anvisa (janeiro de 2026): após decisão do STJ, a agência aprovou regras para o cultivo nacional de cannabis para fins medicinais e de pesquisa científica.
Novas regras: empresas passaram a cultivar plantas com baixo teor de THC (até 0,3%), e farmácias de manipulação foram autorizadas a comercializar produtos derivados, ampliando o acesso legal.
Panorama do consumo e do mercado
Uso na população: levantamentos nacionais, como o LENAD III, indicaram que o consumo de cannabis mais que dobrou em uma década no Brasil, alcançando cerca de 15% da população — aproximadamente 28 milhões de pessoas que já tiveram contato com a substância.
Economia: projeções apontam que o mercado legal de cannabis medicinal pode movimentar cerca de R$ 1 bilhão em 2026, consolidando-se como um novo segmento voltado à saúde e à tecnologia agrícola.
Nota importante: apesar da descriminalização do porte pelo STF, o Congresso Nacional reagiu com a aprovação da PEC 45/2023, conhecida como PEC das Drogas, que busca reinserir a criminalização de qualquer quantidade na Constituição, criando tensão entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
STF mantém descriminalização do porte de maconha para uso pessoal
Vídeo detalha o julgamento histórico do Supremo Tribunal Federal que definiu critérios para diferenciar usuários e traficantes, ponto central das mudanças na legislação brasileira entre 2024 e 2026.
E A MACONHA QUE PASSOU A SER APREENDIDA?
Uma das maiores apreensões do período ocorreu em fevereiro do ano passado, quando a Polícia Militar Rodoviária localizou nove toneladas de maconha e skunk escondidas em meio a uma carga de milho. O caminhão foi abordado na Rodovia Castello Branco, em Porangaba, no interior do estado de São Paulo.
Outra ocorrência de destaque foi registrada em setembro, no município de Adamantina, também no interior paulista, reforçando o papel estratégico das rodovias na logística do tráfico de drogas.
Fonte: SSP.
Foto ilustrativa.
Edição: Repórter Savoy.

